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Ilan Goldfajn: os desafios da economia no Brasil e no mundo

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Os especialistas parecem convergir para a ideia de que o cenário econômico tem grandes desafios pela frente no que diz respeito a temas como inflação, taxa de juros e geopolítica. Para entender melhor o que nos espera nos próximos anos, a edição de outubro do Boletim de Investimentos da Visão Prev traz uma entrevista com o economista Ilan Goldfajn.

 

Após uma carreira bem-sucedida na iniciativa privada e na academia, Goldfajn foi presidente do Banco Central de janeiro de 2016 a março de 2019 e chegou a ser eleito pela revista britânica The Banker como o melhor banqueiro central do mundo em 2018. Agora, ele está prestes a deixar a Presidência do Conselho do Credit Suisse Brazil para assumir a Diretoria do Departamento do Hemisfério Ocidental do FMI (Fundo Monetário Internacional) no dia 3 de janeiro de 2022. Esse é uns dos cargos mais importantes do FMI em Washington, já que ele será responsável pelo acompanhamento da política econômica dos países membros da entidade nas Américas, incluindo os Estados Unidos e o Brasil.

 

“Estou deixando o Credit Suisse para seguir a minha vocação que é a de contribuir com a sociedade em um cargo público, desta vez em uma organização internacional. A economia mundial vive um momento muito desafiador, agravado pela pandemia da covid-19, e a oportunidade de colaborar a partir dessa posição no FMI me deixa entusiasmado”, comentou Ilan em nota publicada pelo banco após sua nomeação. Em um período tão delicado da economia, dentro e fora do país, a análise de Goldfajn serve como bússola para quem quer se preparar para enfrentar os desafios que teremos nos próximos anos e que não serão poucos.

 

No Brasil, o ambiente de conflito entre poderes, descontrole fiscal, eleições no próximo ano, para os principais cargos executivos e legislativos nos estados e no país, dólar acima de 5 reais e inflação crescente não é nada simples. Segundo Goldfajn, essa conjunção de fatores acaba levando ao aumento das taxas de juros, o que desacelera a economia, por vezes além do necessário, e dificulta a criação de novos empregos. Mas existem também diversos pontos positivos no cenário brasileiro que merecem destaque como ele apontou na entrevista para o Boletim de Investimentos.

 

Onde melhoramos

“Desde que eu voltei ao Brasil há mais de 25 anos (Goldfajn morou nos Estados Unidos de 1991 a 1995, onde obteve seu PhD pelo Massachusetts Institute of Technology/MIT), muitas coisas mudaram. O mercado financeiro ficou mais sofisticado, nós deixamos para trás a hiperinflação e acumulamos reservas internacionais. Também fizemos uma abertura financeira considerável – ou seja, já não é mais visto como um ‘crime’ você ter recursos em outros países – mas ainda precisamos ultrapassar um certo preconceito em relação a isso.”

 

Na visão de Goldfajn, esse preconceito é fruto do passado de hiperinflação, que gerou muita incerteza e forte instabilidade por décadas, e dos juros reais muito altos que desestimulavam a diversificação. Aos poucos, porém, são percebidas melhorias nesse sentido.”

 

“Temos hoje um mercado financeiro mais dinâmico e sofisticado, um mercado de capitais mais ativo e um sistema bancário mais ágil e com maior concorrência, o que beneficia os clientes e estimula o aperfeiçoamento do setor como um todo. Também passamos por um avanço profundo e muita profissionalização na previdência. Isso tudo me deixa satisfeito com a evolução dos últimos anos.”

 

É essencial continuar avançando, pois, para Goldfajn, o Brasil tem alguns obstáculos complexos a encarar. “Temos a questão das contas públicas, do crescimento ainda pouco dinâmico e os aspectos sociais que precisam ser resolvidos. Esses três pontos deverão ser equacionados simultaneamente e são um grande desafio para o país.”

 

O que teremos pela frente

Enquanto isso, as perspectivas indicam que, no contexto global, a economia terá que lidar com entraves ligados a assuntos geopolíticos, ao nível de juros e à elevação da inflação. A análise do próximo diretor do Departamento do Hemisfério Ocidental do FMI também vai nessa direção.

 

“O aumento da inflação global já é um fato e deverá trazer dificuldades a partir de 2022, com a necessidade de juros mais altos, o que deve afetar o Brasil e vários outros países. Entretanto, esse não é o desafio que considero mais árduo.

Teremos a questão geopolítica, sobretudo no que diz respeito à China e aos Estados Unidos, mas também os conflitos internos entre parcelas da população de um mesmo país com visões e projetos diferentes para os mais diversos temas, inclusive a globalização econômica, e que não conseguem dialogar, o que radicaliza os debates.

 

Isso vem acontecendo, por exemplo, na Europa, nos Estados Unidos e no Brasil. Essa polarização tem sido muito conflituosa e teremos que aprender a dialogar e conviver de modo mais harmônico. Esse será um grande desafio para as próximas décadas.”

 

Quer saber mais sobre o que pensa esse observador tão sagaz e experiente? Então, acompanhe o vídeo completo da entrevista exclusiva de Ilan Goldfajn.

 

novembro de 2021

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