Ao longo das últimas semanas, falamos sobre longevidade a partir de diferentes perspectivas. Refletimos sobre os vínculos que desejamos preservar, sobre as escolhas que ampliam nossa autonomia, sobre aquilo que queremos continuar aprendendo e sobre a vida que estamos construindo enquanto seguimos ocupados com as demandas do presente.
Talvez seja importante, agora, ampliar ainda mais essa conversa.
Viver mais não é apenas uma experiência individual. É uma das grandes transformações demográficas do nosso tempo.
Segundo a Organização Mundial da Saúde, em 2030, uma em cada seis pessoas no mundo terá 60 anos ou mais. A população mundial nessa faixa etária, que era de aproximadamente 1 bilhão de pessoas em 2020, deverá chegar a 1,4 bilhão em 2030 e a 2,1 bilhões em 2050. O número de pessoas com 80 anos ou mais poderá alcançar 426 milhões em 2050.
No Brasil, essa mudança já está acontecendo. Dados do IBGE mostram que o país tinha 34,1 milhões de pessoas com 60 anos ou mais em 2024, contra aproximadamente 22 milhões em 2012. Um crescimento de 53,3% em pouco mais de uma década. E existe outro número que talvez torne essa transformação ainda mais concreta: uma pessoa que chegava aos 60 anos em 2024 tinha, em média, mais 22,6 anos de vida pela frente.
Vinte e dois anos não são um detalhe no final de uma trajetória. São um período significativo da vida.
Esses anos podem conter mudanças de casa, novos projetos, transformações na família, perdas e reencontros, diferentes formas de participação social, necessidades de cuidado e decisões que hoje talvez nem consigamos antecipar. Por isso, quando a vida se alonga, não basta acrescentar anos ao calendário. Precisamos pensar em que condições queremos atravessá-los.