Visão de Vida

O aprendizado como um dos pilares da longevidade

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Quando pensamos em longevidade, a saúde, os vínculos familiares e a segurança financeira costumam ocupar os primeiros lugares da lista. Existe outro patrimônio que precisa ser construído e renovado ao longo da vida: a nossa capacidade de aprender.

 

Esse tema ganha ainda mais importância quando observamos o aumento da longevidade no Brasil. Segundo o IBGE, uma pessoa que chegava aos 60 anos em 2024 tinha, em média, mais 22,6 anos de vida pela frente. No mesmo período, o país já contava com 34,1 milhões de pessoas com 60 anos ou mais. Se vamos ter mais anos pela frente, surgem duas questões importantes: o que faremos com todo esse tempo e como continuaremos preparados para viver em um mundo que também não para de mudar?

 

É nesse contexto que o conceito de lifelong learning, ou aprendizagem ao longo da vida, ganha força. A ideia rompe com uma visão antiga de que existe um período para estudar, outro para trabalhar e, finalmente, uma etapa em que já não precisamos aprender tanto. Lifelong learning significa justamente compreender que aquisição de conhecimentos e desenvolvimento de habilidades não acontecem em ciclos com começo e fim: continuam durante toda a trajetória. A UNESCO trata hoje a aprendizagem contínua como um direito que atravessa todas as idades e defende sistemas de aprendizagem capazes de funcionar ao longo de toda a vida e em diferentes ambientes.

 

Aprender, portanto, não significa necessariamente voltar para uma sala de aula. Podemos fazer um curso aos 30, aprender a usar uma nova tecnologia aos 50, desenvolver um hobby aos 60, começar um idioma aos 70 ou descobrir, em qualquer idade, uma forma diferente de cuidar das finanças, das relações ou da própria saúde.

Há, porém, outra ideia que amplia ainda mais essa perspectiva: o lifewide learning. Se o lifelong learning nos convida a aprender durante toda a vida, o lifewide learning nos lembra de que aprendemos em todas as dimensões da vida. Existe o aprendizado estruturado, quando escolhemos algo que queremos desenvolver, reservamos tempo, buscamos cursos, livros ou pessoas que possam nos ajudar. E existe também uma enorme quantidade de aprendizagem acontecendo enquanto trabalhamos, conversamos, viajamos, convivemos com outras gerações, resolvemos problemas, erramos, cuidamos de alguém ou enfrentamos uma situação inesperada.

 

O desafio é que viver uma experiência não significa necessariamente aprender com ela. Sem reflexão, experiência pode virar apenas repetição. Para transformar vivência em aprendizado, precisamos olhar para o que aconteceu, questionar nossas interpretações, reconhecer erros e acertos e incorporar novas referências ao nosso repertório. É essa combinação de experiência, reflexão e intencionalidade que amplia nossa capacidade de adaptação.

 

E talvez aí esteja uma das conexões mais importantes entre aprendizagem e longevidade: repertório também é patrimônio. Quanto mais experiências conseguimos transformar em conhecimento, mais alternativas temos diante de situações novas. Aprender a usar uma ferramenta digital, conversar com alguém de outra geração, ouvir uma opinião diferente da nossa, experimentar uma atividade desconhecida ou revisitar uma crença antiga são pequenas formas de manter a nossa capacidade de adaptação em movimento.

 

Essa necessidade não desaparece com a idade, embora, curiosamente, a participação em aprendizagem tenda a diminuir. A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) mostrou em 2025 que, nos países analisados, mais da metade das pessoas entre 25 e 44 anos havia participado de algum treinamento no período pesquisado, enquanto entre as pessoas de 60 a 65 anos a proporção caía para aproximadamente um terço. O aprendizado pela própria prática também diminui: de 62% entre os 25 e 29 anos para 45% entre os 60 e 65. A OCDE mostra que o lifelong learning é um elemento-chave para envelhecer bem e permanecer capaz de acompanhar transformações.

 

Talvez precisemos, então, abandonar uma pergunta bastante comum que fazemos diversas vezes: “Ainda vale a pena aprender isso na minha idade?” e substituí-la por outra: “O que quero continuar sendo capaz de fazer, compreender e aprender nos próximos anos?”

Texto desenvolvido pela Profa. Denise de Moura

Que tal colocar em prática?

setembro de 2026