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Dando continuidade à entrevista com Daniel Tupinambá, CISO Strategy da Elytron Cybersecurity, publicada na semana passada, abordamos agora temas como prevenção, dicas práticas e o que fazer caso você seja envolvido em uma fraude.
A conversa com Tupinambá deixa uma lição clara: o elo mais visado pelos criminosos digitais é o seu comportamento sob pressão e não o sistema operacional do seu celular ou do seu computador. Em um país onde ocorre uma tentativa de fraude a cada 2,3 segundos, como é o caso do Brasil, a pressa e a distração são os maiores aliados do crime.
Para se proteger, não é necessário se tornar um especialista em segurança. Basta adotar hábitos simples: desconfiar de ofertas milagrosas, ativar a autenticação em duas etapas e, acima de tudo, parar e respirar antes de clicar em links com urgência. Valide sempre eventuais dúvidas na fonte oficial. Sua saúde financeira e sua privacidade agradecem!
Prevenção e dicas práticas
Quais são os principais sinais de alerta para saber se um e-mail, link ou mensagem é golpe antes de clicar?
Fique atento se o contato apresentar algum destes sinais de alerta:
Pressão ou ameaça para você agir imediatamente;
Pedido de senha, código de autenticação ou token recebido por SMS;
Solicitação inesperada de transferência bancária ou Pix;
Endereço do remetente (e-mail) diferente do domínio real da empresa;
Links com pequenas alterações no nome do site (ex: itau-seguranca.com em vez de itau.com.br);
Promoções exageradas ou propostas de ganho bom demais para ser verdade;
Pedidos para instalar aplicativos, extensões ou ferramentas de acesso remoto (como AnyDesk ou TeamViewer);
Mudança repentina de número de telefone por alguém conhecido;
Atendente ou contato que tenta impedir você de desligar e confirmar a situação por outro canal.
Um ponto importante: a ausência desses sinais não garante que uma mensagem seja legítima. Na dúvida, desconfie sempre e valide a informação na fonte oficial.
O uso de gerenciadores de senhas e autenticação em duas etapas são realmente eficazes? Que aplicativos o senhor recomenda?
Sim. São duas das medidas mais eficazes e acessíveis para o usuário comum. O gerenciador de senhas permite criar uma credencial diferente e forte para cada serviço. Isso é vital: quando a mesma senha é reutilizada, o vazamento de uma única conta abre caminho para o hacker acessar várias outras.
Algumas opções de mercado recomendadas são:
Bitwarden (excelente opção gratuita e multiplataforma);
1Password (robusto e focado em usabilidade);
Gerenciador de Senhas do Google (já integrado ao ecossistema Android/Chrome);
App Senhas da Apple (nativo e seguro para usuários de iOS/Mac).
A autenticação em duas etapas adiciona uma barreira extra. Mesmo que alguém descubra sua senha, precisará superar a segunda verificação. Sempre dê preferência a aplicativos autenticadores (como Google Authenticator ou Microsoft Authenticator) e passkeys que foram projetadas para ser muito mais resistentes a phishing do que as senhas tradicionais.
Que cuidados o usuário deve ter ao usar Wi-Fi público em shoppings, cafeterias ou aeroportos?
O primeiro cuidado é confirmar se a rede realmente pertence ao estabelecimento. Criminosos usam nomes muito semelhantes para induzir as pessoas a se conectarem à rede errada.
Ao usar uma rede pública, adote estas regras:
Evite operações bancárias ou acessar dados sensíveis;
Mantenha o sistema do dispositivo sempre atualizado;
Desative a conexão automática a redes abertas no celular;
Nunca aceite instalações de certificados ou aplicativos solicitados do nada;
Prefira usar a sua rede móvel (4G/5G) para operações críticas.
Avalie sempre o contexto: uma rede aberta exige mais cautela e menos confiança.
Que ferramentas básicas e acessíveis todo usuário deveria instalar hoje no celular?
Antes de sair instalando dezenas de produtos, recomendo focar em uma base simples e eficiente de 5 pontos:
Atualizações automáticas ativadas: Elas corrigem falhas de segurança já conhecidas e exploradas por criminosos.
Proteção integrada do sistema: Os sistemas modernos já trazem antivírus e defesas nativas suficientes, desde que mantidos ativos.
Gerenciador de senhas: Seja o nativo do Google/Apple ou um dedicado, para eliminar a reutilização de senhas.
Autenticação em duas etapas: Habilite prioritariamente no e-mail principal, bancos, redes sociais e nuvem.
Rastreio e bloqueio remoto: Configure os recursos de localização do aparelho antes que uma emergência aconteça.
O cuidado aqui é não transformar a segurança em uma coleção de extensões e apps desconhecidos. Instalar ferramentas em excesso e sem procedência aumenta o risco. Baixe soluções apenas de lojas oficiais.
Gestão de crise: o que fazer se algo der errado?
Quais devem ser os primeiros passos que uma vítima de golpe deve tomar para mitigar o estrago?
O mais importante é agir rápido, mas com método. Primeiro, interrompa a interação imediatamente: não faça novos pagamentos, não continue o chat e não envie mais dados.
Em seguida, siga este plano de contenção:
Acione o banco: Se houve perda financeira, ligue imediatamente para os canais oficiais do seu banco.
Troque senhas: Altere a senha da conta afetada a partir de um dispositivo confiável e encerre sessões ativas em outros aparelhos.
Efeito cascata: Se você reutilizava essa senha em outros sites, mude-as também.
Avise a rede: Alerte seus contatos caso seu WhatsApp ou rede social tenham sido clonados.
Colha evidências: Guarde comprovantes, prints, números de telefone, horários e dados da ocorrência.
Registre a ocorrência: Faça um Boletim de Ocorrência digital.
Remova ameaças: Se instalou um app suspeito ou ferramenta de acesso remoto (como AnyDesk), não use o celular para bancos até formatá-lo ou limpá-lo de forma segura.
Em incidentes digitais, os primeiros minutos fazem toda a diferença para evitar prejuízos maiores.
IMPORTANTE:
Para que tudo possa avançar corretamente, você deve ter sempre anotado em um lugar seguro o IMEI do seu celular que é uma espécie de RG do seu aparelho,
um código numérico global e único de 15 dígitos.
Clique
aqui
para saber como descobrir o IMEI do seu celular.
Se eu tiver o celular roubado ou furtado na rua, o que devo fazer rapidamente para proteger meus dados?
A preparação começa antes do crime: mantenha um bloqueio de tela forte, biometria ativa e nunca salve senhas em blocos de notas ou fotos de documentos na galeria.
Se o aparelho for levado, corra contra o tempo com estes passos:
Bloqueio remoto: Use o computador ou o celular de um amigo para apagar/bloquear o aparelho remotamente (via “Encontre meu Dispositivo” do Google ou Apple).
Bloqueie a linha: Ligue para a operadora e peça o bloqueio do chip.
Use o Celular Seguro: Acione o aplicativo do Ministério da Justiça para emitir alertas e bloqueios centralizados de contas e do aparelho.
Avise os bancos: Entre em contato com as suas instituições financeiras imediatamente.
Proteja o e-mail: Mude a senha do seu e-mail principal. Ele é a porta de entrada para recuperar todas as suas outras contas.
Desconecte redes: Revogue sessões ativas em redes sociais.
Bloqueie o IMEI: Registre a ocorrência e solicite o impedimento do aparelho na Anatel.
Como a Inteligência Artificial e os deepfakes estão mudando a face dos golpes digitais? Como podemos nos preparar?
A IA está reduzindo drasticamente o custo para os criminosos criarem golpes altamente convincentes. Hoje, é fácil clonar vozes, criar vídeos falsos com rostos conhecidos (deepfakes) e escrever e-mails perfeitos, sem erros de português. Isso destrói aquela velha regra de segurança: “se parece verdadeiro, deve ser verdadeiro”. No cenário atual, ouvir a voz de um filho ou ver o rosto de um parente em uma chamada de vídeo já não é prova suficiente de identidade.
A nossa preparação precisa mudar de forma cultural. Para decisões sensíveis, como transferências financeiras de urgência, precisamos adotar a verificação consciente. Se um familiar pedir dinheiro, desligue a chamada e ligue de volta para o número de confiança dele. A tecnologia vai continuar evoluindo, mas a nossa melhor defesa sempre será a combinação de ferramentas adequadas com um comportamento atento e desconfiado.