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Você está pronto para se proteger das fraudes digitais? (parte 1)

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Você já recebeu uma mensagem urgente no WhatsApp de um número conhecido pedindo dinheiro? Ou um SMS alertando sobre uma compra suspeita no seu cartão de crédito? Se a resposta for sim, você não está sozinho!

 

Os riscos à segurança digital são um tema que atinge a todos nós diariamente quando estamos diante das telas de celulares e computadores. O Brasil se consolidou como um dos mercados mais pressionados por cibercriminosos no mundo. No primeiro semestre de 2025, o país registrou quase 6,94 milhões de tentativas de golpe, um salto de 29,5% em comparação ao ano anterior.

 

Para entender a sofisticação dessas ameaças e aprender a blindar nossa rotina digital, conversamos com Daniel Tupinambá, CISO Strategy da Elytron Cybersecurity. Nessa entrevista exclusiva, o especialista explica os mitos da engenharia social (técnica de manipulação psicológica que explora a confiança e o erro humano para enganar indivíduos, levando-os a revelar informações confidenciais, transferir dinheiro ou fornecer acessos a sistemas), revela quais são os novos alvos dos golpistas e aponta os caminhos práticos para não fazer parte das próximas estatísticas.

Nesta semana, divulgamos a primeira parte da conversa com Daniel Tupinambá, abordando o cenário atual, dados sobre as fraudes digitais no Brasil e os golpes mais comuns. Na próxima semana, os temas são prevenção, dicas práticas e o que fazer caso você seja envolvido em uma fraude.

O cenário atual e dados sobre o Brasil

Como você define o cenário atual da cibersegurança no dia a dia do cidadão comum? Os riscos aumentaram nos últimos anos?

Sim. Os riscos aumentaram e, principalmente, ficaram mais sofisticados e mais próximos da rotina das pessoas. Hoje, uma tentativa de fraude pode chegar por WhatsApp, e-mail, SMS, rede social, ligação telefônica ou até por um anúncio patrocinado em mecanismos de busca.

 

O ponto mais importante é que muitas dessas abordagens não dependem de conhecimentos técnicos avançados para funcionar. Elas exploram confiança, distração, urgência e hábitos cotidianos. Por isso, a segurança digital passou a fazer parte de decisões simples do dia a dia: onde clicar, que aplicativo instalar, como confirmar uma transferência e até como reagir a uma mensagem aparentemente enviada por um familiar. Os dados mostram essa pressão crescente. No primeiro semestre de 2025, o Brasil registrou quase 6,94 milhões de tentativas de fraude, alta de 29,5% em relação ao mesmo período de 2024.

As estatísticas colocam o Brasil frequentemente no topo dos rankings de ataques cibernéticos. Qual é o real posicionamento do país hoje e por que somos um alvo tão visado?

O Brasil está, sem dúvida, entre os mercados mais pressionados por fraudes digitais. Mas é bom ter cuidado ao falar em “ranking”, porque cada estudo mede fenômenos diferentes: alguns contam tentativas de fraude, outros incidentes de segurança, páginas falsas ou ataques contra organizações.

 

Um dado concreto ajuda a dimensionar o problema: no primeiro semestre de 2025, foram registradas 6.937.832 tentativas de fraude no país. Isso significa uma média aproximada de uma ocorrência a cada 2,3 segundos. Uma pesquisa divulgada pela Febraban (Federação Brasileira de Bancos) mostrou que a proporção de pessoas que relataram ter sofrido golpe ou tentativa de golpe passou de 33% em setembro de 2024 para 38% em março de 2025.

 

O país reúne fatores muito atraentes para fraudadores:

  • População altamente conectada;
  • Uso intenso de aplicativos de mensagem;
  • Forte digitalização bancária e pagamentos instantâneos (Pix);
  • Grande presença nas redes sociais.

Temos uma economia digital muito ativa. Isso gera conveniência, mas também amplia a superfície que pode ser explorada por fraudadores.

Existe um perfil de usuário que é o alvo principal ou todas as pessoas estão igualmente vulneráveis?

Qualquer pessoa pode ser alvo. A ideia de que apenas idosos ou usuários com pouca familiaridade tecnológica caem em golpes não corresponde mais à realidade. Cada grupo tende a ser abordado de forma diferente. Pessoas mais velhas podem receber contatos relacionados a bancos, benefícios ou falsas centrais de atendimento. Jovens podem ser atraídos por falsas oportunidades de emprego, promoções, investimentos, ingressos, jogos ou perfis em redes sociais.

 

Dados de 2025 mostraram inclusive forte crescimento das tentativas de fraude contra jovens de até 25 anos: foram mais de 1 milhão de ocorrências no primeiro semestre, alta de 43% em relação ao mesmo período do ano anterior. O principal fator de risco, portanto, não é a idade. É o contexto. Todos nós podemos tomar uma decisão equivocada quando estamos com pressa, preocupados, cansados ou diante de uma mensagem muito convincente.

Os golpes mais comuns

Quais são as principais táticas de phishing utilizadas hoje? Como os fraudadores conseguem deixar essas mensagens tão convincentes?

As abordagens mais comuns simulam situações conhecidas: uma compra que a pessoa não reconhece, uma conta supostamente bloqueada, um pagamento pendente, uma entrega com problema, uma falsa cobrança, um benefício a receber ou um pedido urgente de alguém conhecido.

 

Essas mensagens ficaram mais convincentes porque podem reproduzir logotipos, linguagem institucional, identidade visual e até informações reais sobre a vítima. Além disso, ferramentas de Inteligência Artificial ajudam a produzir textos mais naturais, corrigir erros de português e adaptar a mensagem ao perfil de diferentes públicos. Por isso, hoje não basta procurar apenas erros de gramática. Uma mensagem visual e textualmente perfeita também pode ser fraudulenta. O mais seguro é confirmar a solicitação por um canal independente: abrir diretamente o aplicativo oficial, digitar o endereço do site ou ligar para um número conhecido. Ou seja, nunca usar apenas o link ou telefone enviado na própria mensagem suspeita.

Quais são os golpes que mais crescem no Instagram, WhatsApp e TikTok atualmente?

Entre as abordagens mais recorrentes nas redes sociais, destacam-se:

  • Contas de WhatsApp assumidas por golpistas ou perfis que imitam conhecidos para pedir dinheiro;
  • Falsas lojas e perfis de venda clonados;
  • Anúncios de produtos com preços muito abaixo do mercado;
  • Falsas oportunidades de investimento e criptomoedas;
  • Promoções, sorteios e cupons inexistentes;
  • Perfis falsos de influenciadores ou empresas grandes;
  • Propostas de emprego falso e renda extra fácil;
  • Pedidos para envio de códigos recebidos por SMS ou WhatsApp.

Dados divulgados pela Febraban indicaram que entre as modalidades mais comunicadas por clientes às instituições associadas em 2024 estavam justamente o golpe do WhatsApp, as falsas vendas e a falsa central ou falso funcionário de banco. A regra prática é simples: rede social é um canal de comunicação, não uma garantia de identidade. Um perfil com fotografia, seguidores e publicações antigas pode ter sido falsificado ou comprometido.

 

Quais são os perigos ocultos ao navegar por sites de streaming pirata, clicar em anúncios patrocinados suspeitos ou baixar aplicativos fora das lojas oficiais?

O principal risco é acreditar que o perigo só existe quando um arquivo “parece vírus”. Na prática, páginas de procedência duvidosa podem direcionar o usuário para formulários falsos, assinaturas indesejadas, notificações abusivas, extensões suspeitas ou aplicativos modificados.

 

Aplicativos instalados fora das lojas oficiais (Google Play e App Store) também podem solicitar permissões excessivas, acessando mensagens, contatos, notificações ou outros dados confidenciais do dispositivo. Anúncios patrocinados exigem atenção especial porque a posição de destaque no Google ou Bing não significa, por si só, que aquele endereço é legítimo.

 

Criminosos pagam por esses anúncios para clonar páginas de bancos. Antes de acessar serviços bancários, lojas ou plataformas importantes, o ideal é verificar cuidadosamente o domínio (URL) e, quando possível, entrar pelo aplicativo oficial ou por um endereço já salvo nos seus favoritos.

Como os golpistas usam a engenharia social, a psicologia, o medo ou o senso de urgência para enganar as vítimas?

A engenharia social explora um princípio muito humano: quando sentimos medo, urgência, autoridade ou expectativa de ganho, tendemos a decidir mais rapidamente. É por isso que muitas mensagens dizem: “sua conta será bloqueada”, “esta compra precisa ser cancelada agora”, “seu familiar está em emergência” ou “esta oportunidade termina em poucos minutos”.

 

O objetivo é reduzir o tempo de reflexão. Uma boa regra é: quanto maior a pressão para agir imediatamente, maior deve ser a sua pausa para verificar. Interromper a conversa por alguns minutos e confirmar a situação em outro canal pode evitar um prejuízo financeiro significativo.

Não perca a continuação dessa entrevista na próxima semana, com dicas úteis de como proteger sua vida digital e evitar ser vítima de golpes!

julho de 2026