Visão de Vida

A vitamina D é bem mais importante do que você imagina

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A vitamina D ganhou destaque nas conversas sobre saúde e nutrição, durante a pandemia, por conta de sua ação sobre o sistema imunológico. Para checar essa informação e aprender mais sobre as diversas funções dessa vitamina no nosso corpo, conversamos com a nutricionista Julia Daré.

 

Para começar, é bom lembrar que as vitaminas são elementos essenciais para movimentar grande parte das reações bioquímicas do organismo. Sem elas, portanto, as coisas podem funcionar mal ou nem funcionar, dependendo do nível de deficiência apresentado.

O que é vitamina D?

A vitamina D é uma substância produzida naturalmente pelo organismo por meio da exposição da pele à luz solar. Ela também pode ser obtida em menores quantidades através do consumo de alguns alimentos e, se necessário, com suplementação diária.

Qual o seu papel no organismo?

Ela está envolvida em uma série de processos que acontecem em nosso corpo. “Sua principal função está ligada à manutenção da massa óssea. Ela promove a absorção de cálcio e fósforo, evitando que os ossos se tornem finos, quebradiços ou propensos à deformação. Além disso, esses dois nutrientes têm papel vital na contração muscular, contribuindo para a preservação de todo o tecido muscular (incluindo o coração), e na condução de impulsos nervosos. O fósforo participa ainda da metabolização de proteínas, lipídios e carboidratos, entre outros”, explica Julia. Ou seja, muitas vezes, baixas dosagens de cálcio e fósforo no sangue podem estar ligadas à deficiência de vitamina D!

Mas sua importância também está relacionada à redução de processos inflamatórios e vem daí o aumento do interesse por essa vitamina durante a pandemia. Isso porque ela atua no sistema imunológico, através de células que possuem receptores para a vitamina D, fortalecendo todo o sistema de defesa e exercendo um efeito de melhora no prognóstico de doenças autoimunes.

 

 

Outro alerta interessante: “Alguns estudos têm mostrado associação entre baixas concentrações de vitamina D e o aumento de incidência de diabetes tipo 1, inclusive sua dosagem em crianças reduziria o risco futuro da doença”. Em gestantes, há evidências de que a deficiência estaria relacionada à hipertensão arterial e diabetes gestacional, além do nascimento de bebês com peso e comprimento inadequados, por dependerem exclusivamente da vitamina D materna.

Também no controle da depressão

“Por isso, já se avalia a suplementação com calcitriol (forma ativa da vitamina D) ou colecalciferol (vitamina D3) para beneficiar o tratamento da depressão.”

Resumindo...

Pesquisas recentes apontam para a ligação entre a hipovitaminose D (baixa concentração no organismo) e o aumento dos quadros de depressão. “Isso pode acontecer porque algumas enzimas que processam a vitamina D estão localizadas no cérebro, onde ela poderia potencializar a concentração de serotonina (neurotransmissor que regula o humor, sono, apetite, ritmo cardíaco, temperatura corporal, sensibilidade e funções cognitivas)”, destaca Julia.  “Por isso, já se avalia a suplementação com calcitriol (forma ativa da vitamina D) ou colecalciferol (vitamina D3) para beneficiar o tratamento da depressão.”

Resumindo...

As principais funções da vitamina D têm a ver com:

  • O fortalecimento dos ossos
  • O bom funcionamento do coração e outros músculos
  • O fortalecimento do sistema imunológico
  • O controle da diabetes e de doenças autoimunes
  • A gravidez mais saudável
  • A prevenção e tratamento de quadros de depressão

Como ter níveis adequados de vitamina D?

A fonte primordial de vitamina D é a sua produção através da pele com a exposição aos raios solares. Para isso, é necessário ficar ao sol cerca de 15 minutos por dia (o ideal é expor, pelo menos, braços, mãos ou pernas). Detalhe: sem protetor solar porque os raios UVB (ultravioleta) são os mais eficazes na síntese dessa vitamina!

A exposição deve acontecer entre 10h e 15h, mas é bom ter muito cuidado porque os raios UVB são os mais perigosos para o desenvolvimento do carcinoma basocelular e demais tumores de pele. Se preciso, consulte o seu dermatologista a respeito.

“De acordo com a Universidade de Harvard, a baixa exposição solar é o principal fator responsável pelos altos índices de deficiência de vitamina D, o que já se tornou um problema de saúde pública. Isso se dá pelo atual estilo de vida que, muitas vezes e infelizmente, envolve uma rotina mais sedentária, com pouca ou nenhuma atividade física (sobretudo ao ar livre), poucos deslocamentos a pé, grandes jornadas de trabalho em locais fechados e uma vida mais conectada às telas e com menor interação com a natureza, parques e praças”, avalia Julia.

 

Presença na alimentação

A quantidade de vitamina D encontrada nos alimentos é muito pequena, sendo que as maiores fontes não são muito comuns na alimentação diária do brasileiro. Os principais exemplos são os peixes oleosos (como atum, salmão, sardinha e truta), fígado bovino, gemas de ovos, queijos, leites fortificados e cogumelos como shimeji e shitake. Mas a presença da vitamina nesses alimentos é realmente baixa. Por isso, a exposição solar é responsável por 80% a 90% da necessidade diária.

Quando é preciso fazer a suplementação

Segundo Julia Daré, a maioria das pessoas não necessita de suplementação, embora a população que precisa de acompanhamento esteja aumentando. “A correta exposição ao sol, em conjunto com uma boa alimentação, já deve atingir as recomendações diárias, mas é importante que indivíduos que se encontram em risco para hipovitaminose D procurem especialistas para uma melhor investigação e orientação. Atualmente, a opção que tem se mostrado mais eficaz é o colecalciferol (vitamina D3) e as doses variam de acordo com as necessidades, de modo totalmente individualizado. Quando indicada, a suplementação deve ser seguida de forma rigorosa.”

Como descobrir se é o seu caso?

Alguns sintomas podem revelar uma possível deficiência de vitamina D como a queda da imunidade com reincidência de infecções, fadiga, cansaço, queda de cabelo, agravamento de doenças crônicas, sintomas relacionados à descalcificação óssea e fraqueza muscular. Como são sintomas comuns de outras condições clínicas, o melhor método de avaliação é através de um exame de sangue para medir a concentração sérica de 25(OH)D (ou hidroxivitamina D) circulante. Costuma ser solicitado pelos médicos nos check-ups anuais, inclusive acompanhado pela dosagem de cálcio, PTH (paratormônio) e fósforo no sangue.

Precisam de mais atenção pessoas com baixo acesso ou contraindicação à exposição solar, idosos, gestantes, pacientes com osteomalácia, raquitismos, osteoporose, hiperparatireoidismo secundário, doenças inflamatórias, doenças autoimunes, síndromes de má-absorção, doença renal crônica e prebariátricos.

Doses diárias

A recomendação varia conforme a faixa etária e de acordo com riscos específicos como para os casos descritos acima.

Cuidado com o excesso!

Todo exagero é prejudicial e o mesmo ocorre com a ingestão de nutrientes. No caso da vitamina D, o excesso (quadros de hipervitaminose) ocorre quando a quantidade geralmente originada de suplementação se torna excessiva e tóxica.

Entre os sintomas de toxicidade, estão falta de apetite, náuseas, vômitos, fraqueza e constipação. Em exames clínicos, é possível observar o aumento da concentração de cálcio circulante que pode levar a quadros de desorientação, alterações do ritmo cardíaco e prejudicar o funcionamento dos rins.

Que tal assistir a um vídeo sobre a vitamina D?

 

outubro de 2021

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